A vida e o moinho
Jogamos fora aquela emoção
A de ser jovens, ainda se lembra?
A de ter um só coração
Teus doces lábios agora distantes
Corpos que recusam a aproximação
Constrangidos e rendidos
Pelos caprichos descabidos da razão
Vivemos sim, intensamente
Um exasperado querer em vão
Por uma eterna felicidade
Nos esquecemos da provação
Diz o poeta: "os corpos se entendem"
Sejamos, portanto, essa comprovação
Não um retorno à juventude,
Mas a uma nova superação
"Tudo novo de novo" eu diria
Como naquela insidiosa canção
Querer e toques mais maduros
Não inseguros, mas tomados de tesão
Há música em nossas veias
Há poesia, arte e admiração
A vida não tem de ser um moinho
Que Dom Quixote seja a inspiração
Heitor Victor
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